domingo, 20 de março de 2011

Aqueles versos




Noite fria, do quarto se ouvia o vento uivar. Acordes de guitarra ecoavam, emitidos pelo som. Os versos ''Don't you cry tonight.I still love you baby...''' não saíam de nossas mentes.Lençóis amarrotados, jogados, caídos pelo chão.Nossos corpos nus, nossa mente vaga não conseguia pensar em nada além do momento vivido, além do presente.E não importava o mundo lá fora, ali dentro era o nosso mundo. Nós poderíamos viver para sempre ali(não era esse o plano?). Nós poderíamos ir muito além.Nós poderíamos...
Além do som daquela música, da NOSSA música, o tic- tac do relógio era outro som presente, mas nada ecoava mais que o bater dos nossos corações. Ritmados, fracos, doloridos, simultâneos, tão iguais.Deitados, calados, um sobre o outro, olhávamos o teto até que o sono chegasse. Não precisava dizer nada, o momento dizia por nós. O toque suave de sua mão acariciando-me eram as últimas lembranças de todas aquelas noites mágicas.
No dia seguinte, ao amanhecer, o sol batia em nossos rostos e depois do despertar minha imagem referência era seu sorriso, seu sorriso malicioso. Seu olhar misterioso.Aquele olhar, meu Deus, me ameaçava e no instante seguinte já adquiria doçura.
Apesar das noites mágicas vivíamos em um relação instável. Ora muito bem, ora muito mal. E nada que eu fizesse nos estabilizaria ao ponto que eu almejava.No seu olhar havia outra pessoa, na sua cabeça havia outro nome, em meu rosto você via outro alguém.E eu que cometi a ingenuidade de me apaixonar por uma pessoa que usa outra para esquecer alguém.Éramos tristes, mas nossas tristezas juntas viravam alegrias. Tínhamos momentos bons, tínhamos momentos sinceros.Por alguns poucos momentos talvez tenha saído da sua mente aquele rosto, aquele nome, aquele ser e só restara eu, só havia encanto para mim. Mas isso foi só por alguns poucos momentos, tenho certeza. E vivíamos nos enganando, pensando que com algo tão superficial e tão bem disfarçado chegaríamos a algum lugar a não ser aqueles lençóis, onde nossa tristeza virava prazer e esquecimento. Você via em mim outros rostos, outros nomes e eu via em você alguém que talvez só existisse na minha mente, dentro de mim. Eu via você do jeito que queria ver e não do jeito torto , do jeito real.Procurávamos um no outro lembranças e desejos de outras pessoas. Você daquela pessoa tão real e eu daquela pessoa que sempre quis encontrar, mas não era você. Chegava a ser doentio o nosso jeito de se usar, auto-usar, degradar, iludir-se.
Pobre de nós, corações solitários que não se encontravam e via um no outro ilusão.Pobre de nós que caímos na tentação de se entregar por vaidade, por solidão, pobre de nós.Entre um momento e outro ainda lembro dos nossos momentos vazios e sós, do nosso afeto doentio.
Mas não vou chorar, ''existe um paraíso sobre mim'', esqueceu?!. Afinal no fim das contas dos dois errados quem sobressaiu a loucura foi você que procurava em mim um outro alguém, já eu não procurava em ti ilusão, mas não a ilusão de um amor passado, rejeitado. Sorte a minha de não corresponder a sua ilusão inferior. Sorte a minha.Então não me console. Não há por que chorar, não esta noite. Não por este motivo. Éramos corpos sem almas, éramos dois corações sem sentimentos, éramos poeira, éramos um erro, éramos compostos por ilusão, éramos um nada juntos.E agora que a realidade nos cai, não há por que continuarmos com isso.
Sei que me dizes adeus com a certeza de um reencontro futuro em uma de nossas recaídas emocionais.Já eu digo esse adeus -o último- com a certeza(coisa que raramente tenho em relação a você) de nenhum contato futuro. Esse adeus cheio de arrependimento e nojo da pessoa que me tornei por você é sincero. Esse adeus é final. Cansei de ser seu lixo humano. Você, por si só, que cure da sua rejeição. Eu prefiro estar sozinha do que me rebaixar a alguém assim. Nunca fui mulher de me limitar a dar só prazer. Eu dou emoção, eu dou coração, eu dou companhia, eu me dou por inteira.
Então não se preocupe, eu não chorarei por você.De nós dois só me resta aquela velha canção, aqueles versos de rock'n roll tão melancólicos para mim.De você nada me resta.De você nada nunca tive.E hoje me pergunto quem é você afinal?Somos estranhos um ao outro apesar da duradoura convivência.

''And please remember that I never lied.And please remember how I felt inside now honey...''

8 comentários:

carina, disse...

muito muito obrigada! beijo*

Thalita disse...

Belo texto xará :D

Hubner Braz disse...

Perfect Text...

Bjss

Julliany kotona disse...

Amei o blog estou te seguindo bjos de boa semana e sempre estarei aqui a te lêr e comentar seu espaço é encantador.

Simone Oliveira' disse...

Texto simplesmente L I N D O O O!!!
Estou te seguindo agora, beijos!!!!!!

Amanda Brojato disse...

CARAA, SUAS PALAVRAS SÃO PERFEITAS,A MEI DEMAIS ESTE TEXTO, SEGUINDO VC.

Camila Paier disse...

Ainda ontem, discutia com uma amiga algo parecido com o que tu retratas (de forma sensível, sensata e linda) aqui, nesse escrito, flor. Passamos tempos com as pessoas, nos doamos e importamos, e percebemos logo após elas terem se ido, que alguma coisa delas, uma pequena característica que seja, ficou aqui. A pergunta que não nos cala e apenas descompassa o coração: e do lado de lá, algo que tenha marcado também? Dúvida eterna, talvez. Essas coincidências e dissidências do amor...ahahaha
Beijoca!

Poemas e Amizades disse...

Oi, Thalita, boa tarde!!
Excelente texto.
Os relacionamentos humanos são marcados por certezas e dúvidas. Concordo com a Camila. Sempre foi difícil saber o que vai do outro lado. Sempre será. Então, sobra-nos dois recursos: a entrega no olhar da outra pessoa, coisa de que seu texto demonstra muito bem a ausência, e nossa sinceridade quanto ao que estamos vendo. Às vezes, nós nos mentimos por muito tempo, sustentando uma ilusão absurda. Mentimos a nós mesmos até o ponto do insuportável. E, nesse caso, somos tão culpados quanto o outro.
O brilho da entrega no olhar da outra pessoa deve ser insubstituível nos relacionamentos. Mais prioritário que qualquer outro fator.
Amei o texto!
Um abraço carinhoso
Marcelo Bandeira

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