domingo, 18 de julho de 2010

Recordações de uma vida inconstante




E numa daquelas faxinas de rotina no quarto, na bagunça e no desfazer das velharias acabei achando uma caixinha daquelas que muitos têm para se guardar objetos, fotos, cartas, recordações de momentos bons.Ao abrir a tal caixa e retirar foto por foto,objeto por objeto, carta por carta,CD por CD comecei a reviver certos momentos, comecei a fazer um ''flashback'' da minha vida e olha confesso que tem muita coisa boa, mas coisas boas que sempre acabaram ruins.
É, mas acredito que a minha vida foi sempre essa controvérsia, sempre essa confusão.Era só eu começar a me envolver com alguém e resolver amolecer esse coração de pedra,duro ,rígido- mas vagabundo- que a outra pessoa começava a estragar tudo, começava a pisar no coração, no sentimento, em mim.E mais uma vez a toda cautelosa aqui descobria que se envolver demais, pelo menos pra mim, não era algo bom.Dizer o que sentia sempre me fazia acabar em doses fortes de qualquer bebida, em insônias, em dor no corpo e na alma.E me sentia mais uma vez patética, com vergonha de todos, condenando a sorte, praguejando a vida.
Pois é, são tantas feridas, tantas histórias, tantas decepções.Repetia para mim mesma o tempo todo:
''Thalita sem dramas!Thalita sem dramas ao menos dessa vez.''
Mas de nada adiantava, a gente não manda na própria vida.Aliás a gente manda, só não manda no coração.Minha vida no quesito amor correspondido além de um drama era uma prosa poética desgraçada, uma história mal contada, um poema gótico, um filme desses que dá até pena de ver.
Mas eu não me acanhava.Seguia com fé, seguia até esperançosa de encontrar a tal da pessoa certa.Enquanto não a encontrava colocava outras pessoas para interromper essa busca .Pessoas que eu sempre desconfiava não se tratar da pessoa certa, mas resolvia dar uma chance mesmo assim, afinal sabia que essa minha busca ia ser longa.Eram tantas pessoas erradas, mas isso é lógico, afinal se não era a pessoa certa eram as as pessoas erradas.Essa era a lógica, simplória assim.Mas era tanto erro pra pouco acerto, era tanta merda pra pouca vida- deculpem-me a expressão usada.
Vivendo todo esse caos, recusava-me a ser tão intensa, a sair dizendo na lata o que eu sentia, a ser transparente, a ser previsível, a ser todo esse monte de características pré determinadas que se dá a uma pessoa apaixonada.Recusava-me a amar de novo.
Ia camuflando esse desamor em festas, na companhia de amigos, em livros, em músicas e principalmente escrevendo.Ia seguindo em frente sem olhar para o lado e sem olhar pra trás.E acreditava em Caio F. Abreu, principalmente quando lia este trecho dele:

''Quando não se tem amor, você ainda tem as estradas''

Seguia portanto minha estrada que não sei se era e vai ser longa, mas era estreita.Cabiam poucos ao meu lado, e eu só corria em mão única: sempre para frente, nunca em sentido contrário.
Nessa estrada tão estreita acabei descobrindo um grande amor já citado por mim: o amor próprio.Amava a única pessoa que era capaz de querer me ver feliz.Até achava pessoas pra caminharem nessa estrada com um tipo de envolvimento que de início me fazia feliz, mas para essas pessoas sempre apareciam uma pessoa melhor que eu.Eu não era o melhor de ninguém, eu não era certa para ninguém.Eu me tornava cada vez mais um uso constante até que se achava a pessoa certa.Um uso frustrante.Mas eu seguia, corria junto com o tempo acreditando que na minha estrada ainda haveria a pessoa certa a minha espera, que ainda eu seria a pessoa certa para alguém.

Não quero uso, desuso, covardia, indecisão, confusão de sentimentos.Só quero amar, só quero poder me arriscar a sentir e confessar o que sinto sem ter a preocupação de saber que tal declaração acabe com tudo ,me ferre, me entristeça.
Só quero um caminho bom sem retrocessos,sem ilusão.

5 comentários:

Déborah Simões disse...

lindo esse texto...
recomeçar é sempre bom.... o fim é um bom lugar pra começar...
bjok, flor

Débora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora disse...

Diz Tudo! *-*
Sempre nos deparamos com essas lembraças, elas voltam em nossa mente como se fossem um flashback. Alegrias,angústias,momentos,pessoas
que só nos deixarão saudade e que concerteza tiramos lições de algo que nos proporcionaram
;*

Camila Paier disse...

É quase sempre no meio dessas faxinas que descobrimos muitos sentimentos, objetos ou sensações que não sentíamos há muito tempo. Meu quarto anda uma bagunça, e talvez seja necessário fazer também uma revolução - se não no cômodo, aqui dentro! Hahaha
Um beeijo girl

Giselle disse...

caraca amiiga, vooc intende realmente toodas as mulheres, podemos nos identidicar claramente em váriios trechoos. Paraabéns. Belíssimo :)

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