quarta-feira, 13 de julho de 2011

Da fuga ao encontro


Tenho caminhado por aí meio atônita. Carrego uma angústia no peito. Uma frustração. Um medo. Uma insegurança. Tenho pressa e urgência das coisas futuras, mas quanto mais corro atrás destas, mais elas fogem de mim. Eu ando com medo da vida. Eu ando com medo dos sonhos. E se este for o caminho errado? Como saber? Quebrando a cara mais uma vez? Mas e se não houver como recomeçar, retomar ao início, voltar atrás? E se agora só houver seguir em frente?

Na verdade, eu ando com uma pressa de mim, uma urgência de descobrir quem sou. Mas quanto mais tento e corro , menos me pareço comigo. Eu tenho fugido de mim ou quem agora encontro sou eu de verdade, na essência, na real? E são tantas dúvidas que me cercam e tanta ausência e tanta ansiedade e tanto tudo aquilo que me faz mal e me atormenta. Eu penso no amor como possibilidade distante, eu penso na carreira como possibilidade distante, eu penso nos meus sonhos como possibilidades distantes. E tento me aproximar de ambos, mas quanto mais tento, mais parece que me afasto.

Ás vezes não sei o quero pra mim, ás vezes não sei o que quero dos outros, ás vezes nada sei. E esse 'ás vezes' tem sido muito frequente que até o torno 'muitas vezes'. Eu tenho tentado ser feliz, mas a vida foge de mim cada vez que eu tento me aproximar. E é esse afastamento das coisas, das pessoas, dos sonhos, das possibilidades, de mim mesma, que tem me feito perguntar: Será que sou feliz? Será que serei feliz se assim fizer?

Eu tenho pensado na felicidade como maneira de me libertar da dor, dos medos, da angústia, mas ela também anda fugindo das minhas mãos e é muito irônico dizer que minha felicidade anda na mão dos outros, anda a mercê dos sonhos, anda dependendo do futuro. É irônico demais viver num mundo onde a gente não comanda a própria vida. Onde querer não é poder e lutar muitas vezes é em vão.

Eu ando é preocupada com essas escolhas que a vida me dá sem oferecer satisfatórias respostas. Tento me encontrar e fujo de mim ou é fugindo de mim que me encontro? A vida me espera na fuga e nessa correria da vida eu tenho medo de não encontrar quem eu sou, quem me ame como sou e esbarrar de frente na possibilidade de que nenhum desses sonhos valeram a pena.

7 comentários:

Mari disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mari disse...

"Você lê, e sua vida vai se misturando no que está sendo lido."
Eu li aqui mesmo no seu blog, logo aqui do lado. Foi o que aconteceu agora, ou melhor, você me transcreveu toda nesse texto, aliás, muito bem escrito.

Marcelo Soares disse...

Sei bem com se sente, ja passei por isso, a pouco tempo. Na verdade, a gente nunca se encontra por completo, a vida é uma grande corrida para tentarmos nos encontrar. A gente deve buscar a liberdade, com ela vem a felicidade, afinal, são sinônimas, lógico. Deixo pra você um trechinho de um texto lindo da Elenita:

''Ir por um lado é necessariamente deixar de ir pelo outro. Cada escolha é uma possibilidade de recomeço, mas é também o abandono de outra possibilidade de recomeço. E isso não pode ser nunca motivo de tristeza... São escolhas.''

Beijo

Deborah Leão disse...

Cada vez mais que eu leio seus textos vejo minha vida transcrita em suas palavras. Belo texto, mostrou exatamente o que estou passando no momento..

Andressa disse...

Sempre pensei nisso, mas nunca soube como traduzir em palavras.

Lindo!

Raissa;* disse...

Uma coisa é certa: a vida sempre dá a chance de recomeçar, quantas vezes for necessário, isso só basta querer!
Todos esses medos são normais, crises existenciais também, só não podemos deixar que isso tome conta da gente, temos que mostrar que somos maiores, somo capazes de lutar, que nunca é em vão, e vencer! A vida ta aí pedindo pra ser desafiada e que sejamos felizes! Acredite em você! Só você pode fazer o seu querer virar poder! beeijo;*

Fernanda Avenia, disse...

Acreditar, eu acho que essa é a palavra que devemos levar quando surge todos os medos, todas as crises e toda a ansia pela felicidade, por se encontrar de fato nessa vida louca e amarga que ao mesmo tempo sabe ser doce.

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